sábado, 23 de julho de 2011

Minha Timidez.



Despretensiosamente meu olhar desvia-se do seu. Entre minha esquiva há imensuráveis formas de dizer. O modo como deslizo os dedos entre os fios inconvenientes que passeiam em minha fronte. O sorriso interrompido que insisto em apontar faceiro durante nossa conversa. As polidas palavras que com sutileza pouso em seus ouvidos. Emoção: não haveria apenas de ser esta que nos arrebata em loucuras, disparates amorosos e feitos imprecisos. Aquela que vocifera, brada, afronta. O sentimento é algo singelo. Puro.
Não preciso tocar para sentir os fios de meu corpo em uma saudação veemente. Não preciso pronunciar para que se perceba os intuitos de um coração que ama. O desejo, a linha tênue do desconhecido, essa perspicaz cilada que a vida nos impõe. O curioso estado de torpor e celibato não opcional. Essa clausura íntima e discreta que nossa mente oscilante dispõe. A extrema necessidade e a eterna recusa.
Inclino-me ao pensamento de que não se pode lutar com o que não se conhece. O amor: território inóspito e silencioso. Onde talvez muitos corpos tenham sido perdidos. Espadas e escudos não protegem. Tricheiras não nos escondem. Bandeiras brancas não trazem a paz. Não há vencido nem vencedor. Apenas uma idílica disputa contra si mesmo. O que podemos oferecer quando não nos resta mais nada? E o vazio que se hospeda infringe seus segredos, furta seus sonhos, viola sua alma. Desprezo o amor unilateral, corrosivo e egoísta. Aquele que se aloja como um parasita e cospe-lhe as entranhas. Atinge-o com veracidade e apodera-se de seu espírito como se outrora já não houvesse existido. E depois dele? Ainda que tudo que lhe seja oferecido aparente púrpuras e violetas. Dentro de você , o jardim fomenta uma dilacerante lembrança.
O indescritível receio de que novamente se parta. E não haja recomeço. Pois todos os pedaços deixados levaram uma parte de você. E já não há muito o que oferecer. Então, eu lhe peço, coração:  Deixe-me aqui com minha timidez.

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