domingo, 7 de agosto de 2011

Só-lidão.

Dizem as vociferantes línguas que:

Antes só do que mal acompanhado.

Há que se retirar grande veracidade dessas restritas palavras. Digerir a companhia ainda que por gentileza de seres alucinados, incovenientes, soberbos, fúteis ou arrogantes, sinceramente nunca foram minha grande predileção. Outrossim, sempre contive-me aos fios invisíveis com que a poesia me envolvera. Raro eram as vezes em que me cercava de amigos ou pessoas desconhecidas para esbofetear assuntos irracionais e metáforas translúcidas. Não que eu não admirasse tal habilidade sociável e condolente, mas apenas sorria ao ver desnudas todas as minhas hipocrisias.
A solidão encanta-me com devoção quase infame. O rosto indecifrável que ela carrega tanto se confunde com o meu. Os traços intangíveis do silêncio em um convidativo romance francês.
Sim. Ela me seduz. Desprende minhas amarguras e faz passar quaisquer temores. Conforta-me bem mais que um abraço, excita-me muito mais que a própria luxúria.
Não que eu seja narcisista ou coisa qualquer. O espelho não reflete o que sou nem o que imagino ser. Apenas incinde de modo converso com tudo que apresento em segredo. Relutante sensação de estar consigo e perder-se entre seus próprios começos. Essa ternura infinda que ecoa por entre a escuridão, o grande buraco da vida ansiosa, serve-me de sepulcro solene. Onde mergulho rompendo ondas de ar , deslizando em lembranças quase palpáveis, imaginando delícias que a rigor não são minhas. Doei-as todas. Em cada olhar, sorriso, uma torpe usura.

Diga-me com quem andas, que lhe direi quem és.

Sim, sou a solidão estonteante. Digna e suave. Que escorre por entre os sombrios disfarces quem nem eu mesma consigo usar.

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